Sonia Pires - Psicanalista

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Psicanálise e Psicologia clínica - - Psicanálise e Psicologia clínica terça-feira, 14 de fevereiro de 2017 MULHER Sou do tempo da grande revolução doscostumes.
Minha mãe nasceu quando a mulher ainda estava conquistando o direitoao voto no nosso país.
No tempo dela, a mulher tinha poucas escolhas, o homemocupava o lugar de provedor, tendo total domínio e responsabilidade pelascoisas práticas da vida o que o liberava das atribuições subjetivas queenvolviam a dinâmica familiar, coisas do lar “chamadas de coisa de mulher”.Quando ele era ríspido, ou se negava a participar da vida escolar do filho ouafetiva da família, dizia-se “isso é coisa de homem”, eles não gostam mesmodesses “detalhes”.
Meu programa de TV favorito era“papai sabe tudo”, ele, o papai, vinha do mundo do trabalho, do mundo das pessoasimportantes e quando chegava merecia ser tratado com cerimonia e respeito,afinal ele era o que sabia de tudo, sustentava a casa e, portanto, sem eleestaríamos perdidos.
Seu olhar vinha de cima. Por outro lado, a mulher era a“rainha do lar” tudo que dizia respeito a alimentação, roupa, funcionamento dacasa, era por conta dela.
Os filhos eram acolhidos nesse ninho organizado pelamulher e mantido financeiramente pelo homem, cresciam apoiados nesses doispilares muito bem definidos.Pelo que vemos hoje, a liberdade deescolha, conquistada pela revolução de costumes dos anos sessenta, trouxe apossibilidade da mulher ingressar no mercado de trabalho, mas o mais importanteé que deu a ela a possibilidade de escolher, tanto a idade de casar quanto de decidirse quer casar ou não, ou mesmo se quer ficar casada com o mesmo homem por todouma vida em nome da família.
Hoje sabemos que o movimento de saídado lugar de rainha do lar, para o mundo do trabalho, não foi uma iniciativaespontânea das mulheres da época, na verdade o movimento veio do pós-guerra eda era industrial, onde a mão de obra masculina estava insuficiente para ademanda de trabalho.
 No entanto, a oportunidade de ingressarnaquele mundo do “papai sabe tudo”, abriu os horizontes para as mulheres, mastambém a levou a impasses significativos, uma certa melancolia, por não ser adona de casa e mãe perfeita que todos esperam, inclusive ela.
O homem, poroutro lado se viu obrigado a responder a essa mudança, quebrando o antes tãobem estabelecido, papel de macho, que não faz coisas de mulher.Entramos em uma nova era.
A mulherpassa a reivindicar direitos iguais aos dos homens.
Mas, acredito que nessaeuforia ocorreu um equívoco desconcertante.
Para começar a mulher tem umaestrutura física diferente do homem, tem uma psique muito particular e goza doenorme privilégio da natureza, de poder gerar um outro ser em seu ventre.Experiência essa, que mesmo que não seja vivida por todas, ainda é seu atributo,assim como o papel de mãe e lhe confere um lugar diferenciado na humanidade.
São essas e tantas diferenças quetornam estranho o pedido de igualdade.
As mulheres, sabem disso, pois continuamquerendo receber os galanteios dos anos sessenta, como receber flores, queremser tratadas com admiração e deferência pelos homens.
 Por outro lado, os homens também têm muitoprazer em poder ser um “gentle man”.  Arelação afetiva entre homens e mulheres passa por esses cuidados mútuos.  Seria catastrófico não considerar a diferençaentre homens e mulheres, pois é ela, a diferença, que permite a riqueza doencontro entre eles.
Assim, ser feminina é considerar ovalor de cada particularidade do papel de mulher, amante, mãe, trabalhadora,descobridora de novos horizontes, tanto em si mesma como no outro e no mundo.
Éconhecer e respeitar seus próprios desejos, assumindo a responsabilidade poreles, independente do que o homem tem ou do que é determinado socialmente.
Éprescindir de qualquer movimento para exercer sua liberdade de ser o que é.
Postado porSonia Piresàs11:59Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest quinta-feira, 19 de janeiro de 2017 CAVERNAS VIRTUAIS Se retornássemos, em umaviagem imaginária, ao princípio do desenvolvimento da humanidade, talvezencontrássemos o “bicho homem” em sofrimento, ameaçado por estar imerso nummundo desconhecido e ameaçador.
Os enigmas pessoais são naverdade os responsáveis pelo sofrimento humano desde nossos primórdios.
S.Freud postula que:  “O sofrimento nos ameaça a partir de trêsdireções: de nosso próprio corpo, condenado a decadência e a dissolução, e quenem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advertência;do mundo externo que podem voltar-se contra nós com força de destruiçãoesmagadora e impiedosa; e finalmente de nossos relacionamentos com os outroshomens”.
Esta inquietação, funcionoucomo um motor em direção à busca, no mundo, da raiz de nossas dores, naesperança de encontrarmos um bálsamo que nos alivie.
No entanto, a fragilidadehumana diante da vida, a triste certeza da morte, a imprevisibilidade dosacontecimentos e dos relacionamentos, apesar das grandes evoluções, ainda fazemparte dos fantasmas, amalgamados a humanidade.
Fantasmas esses, que duranteséculos foram alvo de várias formas de “exorciza-los”.  Uma delas foi a busca doconhecimento, que fortalece o homem por dar a sensação de controle e desvendamento,através da construção de instrumentos, ferramentas e saberes.
Assim, ao voltar-se para omundo externo o homem se depara com um desconhecimento ameaçador, masinstigante, e então, de pé, passa a olhar para o horizonte e a caminhar embusca de respostas.
Surgem novos conhecimentos, os mitos a filosofia e aciência, como forma de clarear questões e sentimentos enigmáticos.
Os mitos tentam dar contamagicamente dos acontecimentos inexplicáveis criando um certo conforto mágicode que estava tudo em perfeita ordem.
No entanto, a angústia e a inquietação semantiveram, abrindo espaço para a pesquisa filosófica, científica etecnológica.
Quanto mais o homem avança, mais se afasta dos mitos e se aproximada ciência.
A psicologia é filha dafilosofia, e empenha-se em entender o funcionamento mental, a princípio, umaespécie de pesquisa exploratória em busca de respostas às questõesexistenciais, ligadas aos segredos da alma.  O homem foi à lua, pôs seusolhos na terra onde vive, em suas cores em sua forma na sua dimensão, na suainsignificância diante do universo.
Conheceu os segredos da física, da químicae da biologia, e do seu potencial criador tanto quanto destruidor.
Descobriuformas de imitar a natureza, construiu, destruiu.
Cada vez mais se aproximoudos enigmas que o atormentavam desde o princípio.
Dentre eles o enigma de suaprópria existência enquanto sujeito, um novo conhecimento, o inconsciente,tanto trouxe respostas quanto insegurança, diante da constatação que não temdomínio nem sobre si mesmo.
Diferente do que o “bicho homem”buscava (o controle e poder sobre tudo que o ameaçava), essas descobertasrevelaram sua triste condição de sujeito a-sujeitado a sua condição de submissãoaos limites, seja em relação ao mundo externo, a natureza, ao seu própriocorpo, submetido ao fim, e a si próprio.
No entanto, o mais desconcertante sãoas suas limitações e dificuldades na relação com os outros.
O desenvolvimento tecnológicotrouxe recursos fundamentais, na área da comunicação, ou seja, para facilitaçãodos contatos entre nós humanos.
Hoje é possível acessar alguém no outro lado domundo, quando há apenas um século, era preciso esperar um longo tempo para queuma correspondência chegasse.
As informações sobre os acontecimentos, quase quein loco, nos deram a oportunidade de ampliar conhecimento acerca de outrasrealidades, tanto sociais quanto pessoais.
No entanto, penso quefracassamos, ao tentar superar a nossa inabilidade diante das relaçõeshumanas.  Paradoxalmente, com tantainformação acerca do outro, nunca estivemos tão solitários e isolados em nossopróprio mundo.
Temos os instrumentos para nosaproximarmos uns dos outros, mas ao que parece, isso trouxe uma espécie dereação defensiva.
O mundo virtual, passou a ser usado não como forma de criarrecursos relacionais, mas ao contrário, hoje serve ao isolamento e a construçãode uma sociedade de ermitões.
Cada um protegido em sua caverna, simula um mundode relacionamentos, apoiados na construção de fantasias feitas para sustentaroutras fantasias, criando um mundo de faz de conta, onde tudo é uma simulaçãode um mundo idealizado.
Estar com o outro, não éfácil, e se não nos damos a oportunidade de enfrentar o impasse, entre quererestar junto e querer estar protegido, nos tornamos cada vez mais inábil, caímosem um círculo vicioso, onde o medo passa a ser o senhor da situação.
Construímos um grande arsenalpara nos aproximarmos enquanto sujeitos, falhos e incompletos que somos, mas outilizamos como armadura para que ninguém nos encontre em nossas faltas,falhas, limites e necessidades.
Não é difícil ver isso no dia a dia, mas são asfestas em família, as mais reveladoras dessa grande legião de ermitões que nostornamos.
Há pouco tempo, as pessoasmais velhas de uma família, não deixavam espaço de questionamento, para que areunião nos dias marcantes de sua história, todos se reunissem.
Era umaprática, onde não havia muito lugar para questionamento, e apesar dodesconforto, esse momento marcava tanto as diferenças entre seus membros, quantoas similaridades, logo são nessas oportunidades que os conflitos familiaressurgem com toda força, vejam o filme “Álbum de família”, e logo dá para seprecipitar dizendo: não quero isso!
Que horror!
E é mesmo!
Mas, relacionar-se é condiçãode sobrevivência humana, portanto não é escolha, como Piera Aulagnier diz, emseu texto “Condenado a investir”: “Para se preservar vivo, estácondenado a preservar uma relação de investimento com seu próprio corpo, com oEu desses outros cujo desejo se revela sempre autônomo e por vezes antinômicoao seu próprio, com essa realidade que nunca estará totalmente em conformidadecom a representação que ele almejava se dar dela”.
O contato com o outro, nos dáa oportunidade de investir energia psíquica, condição necessária para que avida continue, para que não nos asfixiamos em nós mesmos.
No entanto, o contatocom o outro, que na verdade é imaginário, nos coloca diante do teste darealidade, de nosso próprio modo de existir, de nossos próprios contornos.
Nadafácil, como segue Piera: “Esse corpo, esse outroinvestido por ele, essa realidade, serão periódica e inevitavelmente fontes desofrimento, provocando por isso um movimento de desinvestimento, um desejo defuga”.
Dessa forma, podemos respondercom clareza, porque as inovações nos meios de comunicação, trouxeram maisdistanciamento entre as pessoas.
Os novos instrumentos tecnológicos, naverdade, possibilitam o escoamento de energia de forma virtual, dando aimpressão que pudemos nos relacionar sem nos expor, e, portanto, sem nos ferirou ferir o outro.
Como se estivéssemos protegidos do teste da realidade tantointerna quanto externa, sem deixar de viver.
A questão é que como oescoamento é virtual, passa-se a viver sob ameaça da chegada do teste darealidade, nesse caso a constatação de que não houve escoamento algum, de que foitudo espuma.
 A vida, a relação com o outro, passa a ser omal a ser evitado, pois denuncia o quanto estamos equivocados em relação a nósmesmos e o mundo.
Dentro de nossas cavernas virtuais, sonhamos com um mundo quenão existe, tanto interno quanto externo, mas internamente sofremos com opânico do retorno do mal que deixamos fora da caverna.  Postado porSonia Piresàs09:47Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest terça-feira, 27 de dezembro de 2016 Escrever .
uma verdadeira higiene.De onde vem a capacidadecriativa de nós seres humanos tão subjugados a imensidão de forçasintimidadoras, tanto internas quanto externas?
O mundo, tanto o internoquanto externo, onde vivemos, nos imprime um estilo de vida por vezes perversorde nossos próprios e caros desejos e princípios.
Uma simples saída de casa, em um dia qualquer da semana, nos conduz a uma infinidade de sinais que apontampara assustadoras contradições. Estranhamente nos advertem, por exemplo, que a gentileza atrapalha.
A paciência é rara entreos viventes na cidade grande.
A pressa atropela os momentos de possívelencontro entre mortais, exigindo rapidez e precisão de movimentos. As forças intimidadoras advindas do mundointerno, também não nos são menos difíceis de serem administradas.
O complexoprocesso de nos tornarmos humanos mantém aprisionado grande parte de nossaenergia psíquica, hoje sabemos que a angustia e ansiedade são inerentes acondição humana.Um paradoxo velhoconhecido: nas dificuldades e grandes tormentos, a capacidade criativa semanifesta como grande recurso de sobrevivência e esperança, como aposta navida.  Na eminência de sucumbir, duasrespostas são possíveis a de Thanatos (pulsão de morte) e a de Eros (pulsão devida).
Quando Eros surge, a criatividade aparece como recurso de saída econtinuidade da vida.
Como diz a música “Uma bomba sobre o Japão fez nascer umJapão de paz.”O analista entrega grandeparte de sua vida na escuta a um outro empenhado em abdicar de suas própriasquestões, julgamentos e até mesmo crenças.
Poderíamos dizer que essa entrega,esse empréstimo, vai na contramão da manifestação criativa do sujeito.
Noentanto, acontece exatamente o contrário.
 Ao mantermos em suspensonossa condição de sujeito desejante, para abrir espaço para a associação livre econsequente ação da “função analítica”, de certa forma entramos em contato, semperceber, com um mundo desconhecido, por vezes caótico, nesta intersecção queimpulsiona e exige uma saída criativa.
J.D.Nasio em “A criançamagnífica da psicanálise” diz que o psicanalista escreve por higiene.
Depois de trinta e seisanos ouvindo, ano após ano tantas histórias incríveis e únicas em meu divã,constato que todas elas foram capazes de me fazer rever essa minha escolhaatualizando-a a cada dia.
Ao reconhecer que anecessidade de cuidar de minhas questões, em análise e das questões de meuspacientes em supervisão e estudo, não são suficientes para aliviar a cargaafetiva inerente à relação analítica, então eu escrevo!
Escrever, nesse caso, écriar, é materializar a partir do inominável o que jamais seria capaz de serdescrito.
Essas reflexões e contos, registradas aqui, e nos meus livros e artigos, não são histórias que ouvi dos meus pacientes no meu divã, são histórias quecriei para dar palavra para os personagens fictícios paridos a partir doencontro dos meus conteúdos mais secretos com a minha prática analítica.
São histórias que carregame fazem circular emoções e sentimentos experimentados ao longo de uma vida,vivencias verídicas ou não, aconchegadas em algum lugar secreto do meu ser queencontram na criação de um personagem a possibilidade de ganhar o mundo.
Uma verdadeira “higiene”.
Postado porSonia Piresàs16:45Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest quarta-feira, 14 de dezembro de 2016 PAPAI NOEL EXISTE                  Bom dia Dona Joana?
Como tem passado?
Como vão ascrianças?
                Ah Dona Lurdes as coisas não andam nada boas aqui emcasa, sempre estamos as voltas com a falta de dinheiro.
Sabe como é vida depobre, nossa alegria é a chegada do maior presente do mundo, nossos filhos, maspor ironia do destino eles passam a ser a maior causa de insônia e dor decabeça, como dar conta de tudo que eles precisam?                É mesmo Dona Joana, mas vejo que a senhora estágrávida de novo, é o sétimo, não é?
                É sim, mais um para nos trazer alegria epreocupações, é a vida, Dona Lurdes, é a vida!
Quando eu era mocinha, sonhavacom uma família, mas não imaginava o que isso significaria.
                De repente um bebê chora e reclama a mãe, Joana pedeà filha mais velha Marta para que veja o que está acontecendo com o caçula dacasa.
Mãe, diz ela, ele acordou, acho que está com fome.                  - Então vá preparar a mamadeira dele – grita Joana.
                São dias árduos para Marta, desde pequena viveu emmeio as dificuldades e conflitos dos pais que se estendiam a ela e seus irmãos.Quando o cobertor é pequeno cada um se ocupa mais ferozmente de manter-seaquecido, vale tudo, atacar, culpar e humilhar, as dificuldades financeiras sãotantas que invadem as relações afetivas.
                Na falta aparece o lado ruim das pessoas, pensa Marta,concluindo que na abundância viveriam apenas o lado bom de todos.
Na televisãotodos parecem tão felizes com o que consomem, deve ser essa a fórmula dafelicidade, filosofa Marta do alto de seus nove anos.
                Como primogênita tem certa autoridade sobre os irmãoso que significa desfrutar de algumas regalias com os pais, afinal divide asresponsabilidades com eles, mas não pode relaxar, brincar…mas pode sonhar.Aliás fantasiar é seu refúgio secreto, onde as coisas boas acontecem.
Mas Martatem apenas um único sonho: encontrar um tesouro no quintal da casa onde moram eenfim trazer algum equilíbrio e conseqüente felicidade para todos.                Depois de mais um ano difícil com o nascimento demais um irmão e aumento de todos os conflitos e afazeres domésticos quesobrecarregam Marta, é chegada a véspera de Natal.
Desde o começo do mês dedezembro seus irmãos, começaram a fazer os pedidos para o Papai Noel.
Marta,sorri internamente pensando no quanto eles são tolos e ela esperta.
                - Será que não percebem ou não querem perceber queessa história é para enganar as crianças?
  Ah se você não for bonzinho, ou não tirarboas notas não vai ganhar presente do Papai Noel.
Ruminava ela com sarcasmo ecerta prepotência.                Marta já não fazia cartinhas desse tipo há muitotempo, considerava-se acima de todos, muito mais evoluída e adulta que osbabacas dos seus irmãos.
Todos acordaram felizes e esperançosos de receber ospresentes, diferente dela que tinha uma informação preciosa que a protegia da frustração;sabia que o ano tinha sido muito difícil e que os pais não dariam, novamente oque pediram.
Senta-se diante da Televisão e encanta-se com tantas ofertas defelicidade.
O telefone toca, a mãe grita para que ela atenda.
                – Alô quem fala?
Do outro lado da linha ouve um oh ohoh eu sou o Papai Noel, quem está falando é a Marta?
Sou eu mesma, como vocêsabe o meu nome?
Vou desligar, que trote bobo você está passando, nemcriancinha de cinco anos acreditaria que o papai Noel ligaria para ela na vésperade natal.
essas crianças pequenas acham que ele está ocupado preparando ospresentes para entregar a noite.
                 - Mas estou mesmo preparando os presentes e percebique esse ano novamente você não fez sua cartinha para mim.
retrucaalegremente a voz do outro lado.
                - Me poupe, seja lá quem você for, tenho mais o quefazer do que dar ouvidos a quem quer me fazer de idiota, vou desligar.
RetrucaMarta irritada.                - Não desligue, me conta porque você não acreditamais em mim?
Apela a voz no telefone.                - Pare com isso. Gritou ela, desligando o telefone e voltando a ver a Televisão.
Respiraaliviada por ter resolvido o assunto sozinha quando um homem barbudo como opapai Noel aparece na tela e pergunta: - Por que você desligou o telefone?Assustada Marta, cobre o rosto.
Ele continua a falar, - Meninas como você Martanão conhecem a magia da infância, Ela estava com o controle remoto na mão erapidamente desligou a TV.                  – Ufa.
que loucura, acha que não estoubatendo bem da cabeça, sussurrou ela.
Levantou-se do sofá e quando estava indopara a cozinha ouviu a campainha de sua casa tocar.
A mãe grita lá do quartopara que ela atenda a porta.
Olha pelo olho mágico e lá está o mesmo homem daTV.
Meu Deus, pensa ela, eu enlouqueci mesmo e desesperada pede para ele irembora.
Ele diz: não se assuste eu faço parte de um dos sonhos que você insisteem não sonhar.
– Como assim?
Pergunta Marta.                Ele responde agora aliviado por ter a oportunidade defalar com Marta e calmamente lhe explica.
 Todos nós somos dotados de uma capacidade defantasiar, sonhar, algumas vezes nos perdemos nesses devaneios, mas eles sãopoderosas fontes de vida.
Tenho percebido que você não sabe sonhar, não utilizadesse mundo maravilhoso que tem aí dentro e acaba sendo essa menina chata e pedanteque é.
                Tomada de furor Marta grita, dizendo que ele não sabede nada que ele nem existe.
Ele retruca: - e você existe?
Olha para você, vivecomo uma máquina, cumpre tarefas, assiste televisão, se impõe para seus irmãose colegas, não sabe brincar nem sonhar, isso é existir?
E ainda por cima não medá a menor chance de torná-la mais doce.                - Ah você se acha espertinho, claro que sonho e sevocê realmente me conhecesse saberia disso.
                - Do que você está falando???
Daquela besteira deencontrar tesouro e resolver o problema de todos?
Ah Marta, me desculpe, masvocê é uma menina muito ignorante neste assunto.
Isso não é sonhar isso étentar resolver o problema de todos como você sempre acha que tem que fazer.
                De repente Marta se dá conta que não sabe do que eleestá dizendo, aliás que não sabe mesmo nada de si mesma.
Esteve tão ocupadapelos gritos e pedidos de todos que nem percebeu que estava se deixando delado, ele tinha razão, isso era existir?
Mas ela não se entregaria tão fácilassim aos argumentos daquele velho desconhecido.
Questiona-o então: Olha você,digamos que seja o papai Noel, o que você faz não é muito diferente do que eu.
Viveo tempo todo preparando presentinhos para iludir as criancinhas de que a vida ébela, isso é existir?
Você não passa de um velho que quer aparecer para se reafirmarporque na verdade não existe.                Então é assim que você trata seus sonhos eesperanças?
Pergunta com voz entristecida, o senhor do outro lado da porta,destitui-os de valor como faz com todo mundo que demonstra sentimento?                 Quando umacriança, como teus irmãos e amigos, sonha com o Natal não é o presente queimporta, mas o poder acreditar que alguém pode ouvir seus desejos, mais queisso é considerar que os próprios desejos são importantes.
O Natal não é apenasa chegada do Papai Noel, na verdade ele simboliza a esperança como um presenteque vem dos céus como a estrela de David, nos indicando que viver vale a penase pudermos acreditar e valorizar o que os outros sentem e o que sentimos, pormais difícil que seja.
                Marta, eu sou construído a partir dos desejos eesperanças das crianças que como você tem um longo e penoso caminho pela frente,afinal viver não é fácil para ninguém.
Assim como minhas renas, vocês crianças,crescidas ou não, me conduzem no trenó mágico da imaginação, os presentes podemnão chegar, mas a esperança e crença na vida estarão sempre presentes se aporta do coração de cada uma de vocês estiver aberta.                 Abra a portaMarta e permita que eu e você enfim possamos existir, assim viver será mais queuma tarefa, será sempre um presente mágico vindo dos céus.    Postado porSonia Piresàs05:57Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest quinta-feira, 8 de dezembro de 2016 SUSTO Nós humanos precisamos nossentir seguros, afinal a vida oferece tantos perigos.
De dentro, produtos dos fantasmas ameaçadores criados por nós.
De fora, vindo dos céus, impostos pelas inevitáveis circunstanciasda vida a que todos estamos sujeitos.
Perigos reais,  ou imaginários, não importa, todos são vividos ou temidos, e apavoram tanto que mal podem ser tocados.
Para tanto tumulto, tormento ebarulho assustador, avassalador, é preciso se prevenir, se proteger, criarartifícios reais ou imaginários que limitem os riscos, e que nos dê a sensação desegurança, estabilidade e constância.
Tipo o “tudo bem não foi nada” da mãequando a criança chora depois de um tombo.
O efeito colateral dessa manobra, é que essa formula, não dá a menor noção de quemonstros enfrentamos, afinal mal podemos suportar deixá-lo em nós para dimensionar otamanho do perigo.
Como a mãe que não olha os joelhos do garoto, sacoderapidamente com tapinhas por cima das calças evita-se ver o machucado, mas ele continua sangrando.
Quando estamos diante de nossas angústias e temores, quase sempre, reveladores de nossos limites e de nossa finitude, também damos alguns tapinhas.
Compramos, comemosplanejamos alguma coisa.  Nos esquivamos,dizendo que não é nada, mas por dentro sentimos o risco e em algum lugar, sabemos que levantamos muralhas,alicerces, redomas protetoras, para não sermos atingidos pelo que inevitavelmente já nos atingiu.  O sucesso a comemoração, nem sempre são pelo bem conquistado, mas por ter conseguido se esquivar da certeza da dor inevitável que a vida nos impõe.  Outra manobra as vezes parece um paradoxo.
Ao mesmo tempo que pulsamos e insistimos em sobreviver à morte, flertamos com ela, nos colocamos em situações de risco, numa tentativa louca de romper o limite da vida, para assim ter a sensação de controle sobre o incontrolável fluxo da vida.
Quando diante da morte de um bebê que acabou de nascer, da morte de uma jovem mãe, ou de um time inteiro de jogadores, nos perguntamos como a vida pode terminar para  quem teria tantos capítulos a escrever?
Notícias como essas, acordam nossos fantasmas, que zelosamente mantemos protegidos, pois retiram o cobertor que encobre a nossa ignorância angustiante diante da morte, nos levado a sentir na pele, ao mesmo tempo, a fragilidade e a importância de cada minuto do nosso pulsar.  Postado porSonia Piresàs11:54Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest sábado, 12 de novembro de 2016 O JEITO DE AMAR DE CADA UM Encontra-se em e-book meu novo livro: "O jeito de amar de cada um" O lançamento do livro físico será em 2017.  Sinopse  Amar.Sentimento implacável e inexplicável, um paradoxo da condição humana.  Com o coração vazio temos os pés no chão, massofremos com o vazio e insignificância da vida, nos sentimos sós.  Quando estamos amando vivemos na corda bamba,a insegurança e ansiedade são o preço a ser pago por deixar que um outro entreem nossas vidas de forma arrebatadora.  Estaobra se debruça sobre a questão do amor com os olhos da psicanálise com o apoiodas expressões da arte e da poesia que recheiam os filmes e musicas.
Arazão nada sabe do amor, afinal ele é um sentimento, a linguagem é outra.
Umdialeto que nos encanta desde as nossas primeiras experiências amorosas.
Serãoexatamente elas, as historias do romance familiar, que pautarão de formainconsciente nossos encontros amorosos durante toda nossa vida.
Cada novo amoré um convite para resignificar, dar novos significados, à forma como amamos evivemos.
Assim,amar tanto pode ser terapêutico quanto doentio, tanto pode destruir quantopotencializar a quem bebe de suas águas, mas ninguém passa por ele impune.
www.biblioteca24horas.com.br Postado porSonia Piresàs06:07Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest terça-feira, 18 de outubro de 2016 PRISIONEIROS DO PASSADO Uma escada estreita e curva, conduz a uma sala amplacom varanda, os vidros fechados cobertos por cortinas longas.
Um corredorcomprido guarda a direita quartos repletos de história reverberante.
Ao final agrande cozinha, com mesa retangular e muitas cadeiras, revela que ali muitos jáse saciaram, do muito que aquele fogão no canto embaixo do vitro, produziu.No quintal, saindo da cozinha, mais históriasenigmáticas tomam o ar.
Uma antessala.
O que haveria pensado ou sonhado quem aidealizou?
Ao atravessá-la mais um amplo espaço, apenas alguns eletrodomésticosantigos em um pequeno canto, coberto por telhas e o restante estende-se pormuitos metros de espaço vazio, ao relento cercado por um muro baixinho, e novamenteuma escada estreita, mas desta vez ela conduz a uma visão, de tirar o folego, dapaisagem que cerca a propriedade em 360 graus.
Uma espécie de cobertura, com umachurrasqueira novinha abandonada, denúncia de que muito do que se sonhou nãopode ser vivido naquele espaço, diferente da impressão dos outros lugares dacasa.Quem poderia escrever os próximos capítulos e comoo faria?
Uma mulher que em seu aspecto arcado demonstracarregar o peso dos anos passados naquele lugar, é a última testemunha dossonhos vividos, e dos não vividos ali, que mais parece um fruto mumificado,digno de um estudo arqueológico. Mas, essamulher tenta manter-se viva, em meio a tanto apelo do silêncio e da morte queecoam das paredes, dos corredores e dos móveis e utensílios.
Paradoxal éperceber, claramente, que ao mesmo tempo que ela se considera parte daquelasparedes e, portanto, daquele passado que não chega, do morto que não vaiembora, resiste bravamente a morrer, ao mesmo tempo em que não consegue deixa-lopara trás e seguir vivendo.
Uma espécie de fidelidade que chega a parecerreligiosa, às coisas amontadas e mantidas da mesma forma por tantos anos,revela a presença dos mortos que não podem ser deixados.
Como se essa mulherestivesse mantida viva amalgamada a morte.
Como não ter crises de ansiedade eangústia?
Como controlar a pressão que na verdade anuncia que ela está viva epulsante?
Prisioneira de um moribundo presente que como umzumbi não pode se tornar passado, assim como a mãe que não pode permitir que ofilho cresça, para não perder a sua criança amada, agarrada a ilusão deeternidade carrega seu bebê ilusório em seu colo que ocupado, nada mais poderáreceber.Essa cena me remete diretamente ás experiênciasdifíceis, mas privilegiadas que meu ofício  oferece.  Ao adentrar noscorredores das moradas psíquicas de meus pacientes, por vezes sou conduzida acorredores escuros que me levam a um mundo de zumbis, personagens moribundosalimentados pela vida de sujeitos que por diversos motivos não conseguemdespedir-se, tanto de momentos desconfortáveis quanto prazerosos, mantendo-oscomo morto vivo alimentados pela energia de vida que deveria fluir, represada eestancada nessas marcas.
A clínica me colocadiante de inúmeras histórias, todas únicas, mas ao mesmo tempo testemunhas dodifícil empenho que a vida nos impõe.
Quando somos a-traídos pelo  ciclo em espiral de desamparo, encontro, prazer, perda, dor desprazer e novamente, desamparo ela revela a urgência demanter a esperança  e abrir a porta para a vida diante do apelo da mesmice e do silencio da paz da morte. Postado porSonia Piresàs13:20Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest Postagens mais antigasPágina inicialAssinar:Postagens (Atom)Quem sou euSonia PiresEstudar os enigmas da mente sempre me atraiu tanto quanto transmiti-los.
As inúmeras possibilidades de compreensão e manejo de uma mesma situação clínica apontam para imensidão de descobertas a serem feitas.Visualizar meu perfil completoArquivo do blog

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Categoria: Psicanalistas

O que a Sonia Pires - Psicanalista faz?

Sobre a empresa:

Psicanálise e Psicologia clínica - - Psicanálise e Psicologia clínica terça-feira, 14 de fevereiro de 2017 MULHER Sou do tempo da grande revolução doscostumes. Minha mãe nasceu quando a mulher ainda estava conquistando o direitoao voto no nosso país. No tempo dela, a mulher tinha poucas escolhas, o homemocupava o lugar de provedor, tendo total domínio e responsabilidade pelascoisas práticas da vida o que o liberava das atribuições subjetivas queenvolviam a dinâmica familiar, coisas do lar “chamadas de coisa de mulher”.Quando ele era ríspido, ou se negava a participar da vida escolar do filho ouafetiva da família, dizia-se “isso é coisa de homem”, eles não gostam mesmodesses “detalhes”. Meu programa de TV favorito era“papai sabe tudo”, ele, o papai, vinha do mundo do trabalho, do mundo das pessoasimportantes e quando chegava merecia ser tratado com cerimonia e respeito,afinal ele era o que sabia de tudo, sustentava a casa e, portanto, sem eleestaríamos perdidos. Seu olhar vinha de cima. Por outro lado, a mulher era a“rainha do lar” tudo que dizia respeito a alimentação, roupa, funcionamento dacasa, era por conta dela. Os filhos eram acolhidos nesse ninho organizado pelamulher e mantido financeiramente pelo homem, cresciam apoiados nesses doispilares muito bem definidos.Pelo que vemos hoje, a liberdade deescolha, conquistada pela revolução de costumes dos anos sessenta, trouxe apossibilidade da mulher ingressar no mercado de trabalho, mas o mais importanteé que deu a ela a possibilidade de escolher, tanto a idade de casar quanto de decidirse quer casar ou não, ou mesmo se quer ficar casada com o mesmo homem por todouma vida em nome da família. Hoje sabemos que o movimento de saídado lugar de rainha do lar, para o mundo do trabalho, não foi uma iniciativaespontânea das mulheres da época, na verdade o movimento veio do pós-guerra eda era industrial, onde a mão de obra masculina estava insuficiente para ademanda de trabalho.  No entanto, a oportunidade de ingressarnaquele mundo do “papai sabe tudo”, abriu os horizontes para as mulheres, mastambém a levou a impasses significativos, uma certa melancolia, por não ser adona de casa e mãe perfeita que todos esperam, inclusive ela. O homem, poroutro lado se viu obrigado a responder a essa mudança, quebrando o antes tãobem estabelecido, papel de macho, que não faz coisas de mulher.Entramos em uma nova era. A mulherpassa a reivindicar direitos iguais aos dos homens. Mas, acredito que nessaeuforia ocorreu um equívoco desconcertante. Para começar a mulher tem umaestrutura física diferente do homem, tem uma psique muito particular e goza doenorme privilégio da natureza, de poder gerar um outro ser em seu ventre.Experiência essa, que mesmo que não seja vivida por todas, ainda é seu atributo,assim como o papel de mãe e lhe confere um lugar diferenciado na humanidade. São essas e tantas diferenças quetornam estranho o pedido de igualdade. As mulheres, sabem disso, pois continuamquerendo receber os galanteios dos anos sessenta, como receber flores, queremser tratadas com admiração e deferência pelos homens.  Por outro lado, os homens também têm muitoprazer em poder ser um “gentle man”.  Arelação afetiva entre homens e mulheres passa por esses cuidados mútuos.  Seria catastrófico não considerar a diferençaentre homens e mulheres, pois é ela, a diferença, que permite a riqueza doencontro entre eles. Assim, ser feminina é considerar ovalor de cada particularidade do papel de mulher, amante, mãe, trabalhadora,descobridora de novos horizontes, tanto em si mesma como no outro e no mundo. Éconhecer e respeitar seus próprios desejos, assumindo a responsabilidade poreles, independente do que o homem tem ou do que é determinado socialmente. Éprescindir de qualquer movimento para exercer sua liberdade de ser o que é. Postado porSonia Piresàs11:59Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest quinta-feira, 19 de janeiro de 2017 CAVERNAS VIRTUAIS Se retornássemos, em umaviagem imaginária, ao princípio do desenvolvimento da humanidade, talvezencontrássemos o “bicho homem” em sofrimento, ameaçado por estar imerso nummundo desconhecido e ameaçador. Os enigmas pessoais são naverdade os responsáveis pelo sofrimento humano desde nossos primórdios. S.Freud postula que:  “O sofrimento nos ameaça a partir de trêsdireções: de nosso próprio corpo, condenado a decadência e a dissolução, e quenem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advertência;do mundo externo que podem voltar-se contra nós com força de destruiçãoesmagadora e impiedosa; e finalmente de nossos relacionamentos com os outroshomens”. Esta inquietação, funcionoucomo um motor em direção à busca, no mundo, da raiz de nossas dores, naesperança de encontrarmos um bálsamo que nos alivie. No entanto, a fragilidadehumana diante da vida, a triste certeza da morte, a imprevisibilidade dosacontecimentos e dos relacionamentos, apesar das grandes evoluções, ainda fazemparte dos fantasmas, amalgamados a humanidade. Fantasmas esses, que duranteséculos foram alvo de várias formas de “exorciza-los”.  Uma delas foi a busca doconhecimento, que fortalece o homem por dar a sensação de controle e desvendamento,através da construção de instrumentos, ferramentas e saberes. Assim, ao voltar-se para omundo externo o homem se depara com um desconhecimento ameaçador, masinstigante, e então, de pé, passa a olhar para o horizonte e a caminhar embusca de respostas. Surgem novos conhecimentos, os mitos a filosofia e aciência, como forma de clarear questões e sentimentos enigmáticos. Os mitos tentam dar contamagicamente dos acontecimentos inexplicáveis criando um certo conforto mágicode que estava tudo em perfeita ordem. No entanto, a angústia e a inquietação semantiveram, abrindo espaço para a pesquisa filosófica, científica etecnológica. Quanto mais o homem avança, mais se afasta dos mitos e se aproximada ciência. A psicologia é filha dafilosofia, e empenha-se em entender o funcionamento mental, a princípio, umaespécie de pesquisa exploratória em busca de respostas às questõesexistenciais, ligadas aos segredos da alma.  O homem foi à lua, pôs seusolhos na terra onde vive, em suas cores em sua forma na sua dimensão, na suainsignificância diante do universo. Conheceu os segredos da física, da químicae da biologia, e do seu potencial criador tanto quanto destruidor. Descobriuformas de imitar a natureza, construiu, destruiu. Cada vez mais se aproximoudos enigmas que o atormentavam desde o princípio. Dentre eles o enigma de suaprópria existência enquanto sujeito, um novo conhecimento, o inconsciente,tanto trouxe respostas quanto insegurança, diante da constatação que não temdomínio nem sobre si mesmo. Diferente do que o “bicho homem”buscava (o controle e poder sobre tudo que o ameaçava), essas descobertasrevelaram sua triste condição de sujeito a-sujeitado a sua condição de submissãoaos limites, seja em relação ao mundo externo, a natureza, ao seu própriocorpo, submetido ao fim, e a si próprio. No entanto, o mais desconcertante sãoas suas limitações e dificuldades na relação com os outros. O desenvolvimento tecnológicotrouxe recursos fundamentais, na área da comunicação, ou seja, para facilitaçãodos contatos entre nós humanos. Hoje é possível acessar alguém no outro lado domundo, quando há apenas um século, era preciso esperar um longo tempo para queuma correspondência chegasse. As informações sobre os acontecimentos, quase quein loco, nos deram a oportunidade de ampliar conhecimento acerca de outrasrealidades, tanto sociais quanto pessoais. No entanto, penso quefracassamos, ao tentar superar a nossa inabilidade diante das relaçõeshumanas.  Paradoxalmente, com tantainformação acerca do outro, nunca estivemos tão solitários e isolados em nossopróprio mundo. Temos os instrumentos para nosaproximarmos uns dos outros, mas ao que parece, isso trouxe uma espécie dereação defensiva. O mundo virtual, passou a ser usado não como forma de criarrecursos relacionais, mas ao contrário, hoje serve ao isolamento e a construçãode uma sociedade de ermitões. Cada um protegido em sua caverna, simula um mundode relacionamentos, apoiados na construção de fantasias feitas para sustentaroutras fantasias, criando um mundo de faz de conta, onde tudo é uma simulaçãode um mundo idealizado. Estar com o outro, não éfácil, e se não nos damos a oportunidade de enfrentar o impasse, entre quererestar junto e querer estar protegido, nos tornamos cada vez mais inábil, caímosem um círculo vicioso, onde o medo passa a ser o senhor da situação. Construímos um grande arsenalpara nos aproximarmos enquanto sujeitos, falhos e incompletos que somos, mas outilizamos como armadura para que ninguém nos encontre em nossas faltas,falhas, limites e necessidades. Não é difícil ver isso no dia a dia, mas são asfestas em família, as mais reveladoras dessa grande legião de ermitões que nostornamos. Há pouco tempo, as pessoasmais velhas de uma família, não deixavam espaço de questionamento, para que areunião nos dias marcantes de sua história, todos se reunissem. Era umaprática, onde não havia muito lugar para questionamento, e apesar dodesconforto, esse momento marcava tanto as diferenças entre seus membros, quantoas similaridades, logo são nessas oportunidades que os conflitos familiaressurgem com toda força, vejam o filme “Álbum de família”, e logo dá para seprecipitar dizendo: não quero isso! Que horror! E é mesmo! Mas, relacionar-se é condiçãode sobrevivência humana, portanto não é escolha, como Piera Aulagnier diz, emseu texto “Condenado a investir”: “Para se preservar vivo, estácondenado a preservar uma relação de investimento com seu próprio corpo, com oEu desses outros cujo desejo se revela sempre autônomo e por vezes antinômicoao seu próprio, com essa realidade que nunca estará totalmente em conformidadecom a representação que ele almejava se dar dela”. O contato com o outro, nos dáa oportunidade de investir energia psíquica, condição necessária para que avida continue, para que não nos asfixiamos em nós mesmos. No entanto, o contatocom o outro, que na verdade é imaginário, nos coloca diante do teste darealidade, de nosso próprio modo de existir, de nossos próprios contornos. Nadafácil, como segue Piera: “Esse corpo, esse outroinvestido por ele, essa realidade, serão periódica e inevitavelmente fontes desofrimento, provocando por isso um movimento de desinvestimento, um desejo defuga”. Dessa forma, podemos respondercom clareza, porque as inovações nos meios de comunicação, trouxeram maisdistanciamento entre as pessoas. Os novos instrumentos tecnológicos, naverdade, possibilitam o escoamento de energia de forma virtual, dando aimpressão que pudemos nos relacionar sem nos expor, e, portanto, sem nos ferirou ferir o outro. Como se estivéssemos protegidos do teste da realidade tantointerna quanto externa, sem deixar de viver. A questão é que como oescoamento é virtual, passa-se a viver sob ameaça da chegada do teste darealidade, nesse caso a constatação de que não houve escoamento algum, de que foitudo espuma.  A vida, a relação com o outro, passa a ser omal a ser evitado, pois denuncia o quanto estamos equivocados em relação a nósmesmos e o mundo. Dentro de nossas cavernas virtuais, sonhamos com um mundo quenão existe, tanto interno quanto externo, mas internamente sofremos com opânico do retorno do mal que deixamos fora da caverna.  Postado porSonia Piresàs09:47Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest terça-feira, 27 de dezembro de 2016 Escrever . uma verdadeira higiene.De onde vem a capacidadecriativa de nós seres humanos tão subjugados a imensidão de forçasintimidadoras, tanto internas quanto externas? O mundo, tanto o internoquanto externo, onde vivemos, nos imprime um estilo de vida por vezes perversorde nossos próprios e caros desejos e princípios. Uma simples saída de casa, em um dia qualquer da semana, nos conduz a uma infinidade de sinais que apontampara assustadoras contradições. Estranhamente nos advertem, por exemplo, que a gentileza atrapalha. A paciência é rara entreos viventes na cidade grande. A pressa atropela os momentos de possívelencontro entre mortais, exigindo rapidez e precisão de movimentos. As forças intimidadoras advindas do mundointerno, também não nos são menos difíceis de serem administradas. O complexoprocesso de nos tornarmos humanos mantém aprisionado grande parte de nossaenergia psíquica, hoje sabemos que a angustia e ansiedade são inerentes acondição humana.Um paradoxo velhoconhecido: nas dificuldades e grandes tormentos, a capacidade criativa semanifesta como grande recurso de sobrevivência e esperança, como aposta navida.  Na eminência de sucumbir, duasrespostas são possíveis a de Thanatos (pulsão de morte) e a de Eros (pulsão devida). Quando Eros surge, a criatividade aparece como recurso de saída econtinuidade da vida. Como diz a música “Uma bomba sobre o Japão fez nascer umJapão de paz.”O analista entrega grandeparte de sua vida na escuta a um outro empenhado em abdicar de suas própriasquestões, julgamentos e até mesmo crenças. Poderíamos dizer que essa entrega,esse empréstimo, vai na contramão da manifestação criativa do sujeito. Noentanto, acontece exatamente o contrário.  Ao mantermos em suspensonossa condição de sujeito desejante, para abrir espaço para a associação livre econsequente ação da “função analítica”, de certa forma entramos em contato, semperceber, com um mundo desconhecido, por vezes caótico, nesta intersecção queimpulsiona e exige uma saída criativa. J.D.Nasio em “A criançamagnífica da psicanálise” diz que o psicanalista escreve por higiene. Depois de trinta e seisanos ouvindo, ano após ano tantas histórias incríveis e únicas em meu divã,constato que todas elas foram capazes de me fazer rever essa minha escolhaatualizando-a a cada dia. Ao reconhecer que anecessidade de cuidar de minhas questões, em análise e das questões de meuspacientes em supervisão e estudo, não são suficientes para aliviar a cargaafetiva inerente à relação analítica, então eu escrevo! Escrever, nesse caso, écriar, é materializar a partir do inominável o que jamais seria capaz de serdescrito. Essas reflexões e contos, registradas aqui, e nos meus livros e artigos, não são histórias que ouvi dos meus pacientes no meu divã, são histórias quecriei para dar palavra para os personagens fictícios paridos a partir doencontro dos meus conteúdos mais secretos com a minha prática analítica. São histórias que carregame fazem circular emoções e sentimentos experimentados ao longo de uma vida,vivencias verídicas ou não, aconchegadas em algum lugar secreto do meu ser queencontram na criação de um personagem a possibilidade de ganhar o mundo. Uma verdadeira “higiene”. Postado porSonia Piresàs16:45Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest quarta-feira, 14 de dezembro de 2016 PAPAI NOEL EXISTE                  Bom dia Dona Joana? Como tem passado? Como vão ascrianças?                 Ah Dona Lurdes as coisas não andam nada boas aqui emcasa, sempre estamos as voltas com a falta de dinheiro. Sabe como é vida depobre, nossa alegria é a chegada do maior presente do mundo, nossos filhos, maspor ironia do destino eles passam a ser a maior causa de insônia e dor decabeça, como dar conta de tudo que eles precisam?                É mesmo Dona Joana, mas vejo que a senhora estágrávida de novo, é o sétimo, não é?                 É sim, mais um para nos trazer alegria epreocupações, é a vida, Dona Lurdes, é a vida! Quando eu era mocinha, sonhavacom uma família, mas não imaginava o que isso significaria.                 De repente um bebê chora e reclama a mãe, Joana pedeà filha mais velha Marta para que veja o que está acontecendo com o caçula dacasa. Mãe, diz ela, ele acordou, acho que está com fome.                  - Então vá preparar a mamadeira dele – grita Joana.                 São dias árduos para Marta, desde pequena viveu emmeio as dificuldades e conflitos dos pais que se estendiam a ela e seus irmãos.Quando o cobertor é pequeno cada um se ocupa mais ferozmente de manter-seaquecido, vale tudo, atacar, culpar e humilhar, as dificuldades financeiras sãotantas que invadem as relações afetivas.                 Na falta aparece o lado ruim das pessoas, pensa Marta,concluindo que na abundância viveriam apenas o lado bom de todos. Na televisãotodos parecem tão felizes com o que consomem, deve ser essa a fórmula dafelicidade, filosofa Marta do alto de seus nove anos.                 Como primogênita tem certa autoridade sobre os irmãoso que significa desfrutar de algumas regalias com os pais, afinal divide asresponsabilidades com eles, mas não pode relaxar, brincar…mas pode sonhar.Aliás fantasiar é seu refúgio secreto, onde as coisas boas acontecem. Mas Martatem apenas um único sonho: encontrar um tesouro no quintal da casa onde moram eenfim trazer algum equilíbrio e conseqüente felicidade para todos.                Depois de mais um ano difícil com o nascimento demais um irmão e aumento de todos os conflitos e afazeres domésticos quesobrecarregam Marta, é chegada a véspera de Natal. Desde o começo do mês dedezembro seus irmãos, começaram a fazer os pedidos para o Papai Noel. Marta,sorri internamente pensando no quanto eles são tolos e ela esperta.                 - Será que não percebem ou não querem perceber queessa história é para enganar as crianças?   Ah se você não for bonzinho, ou não tirarboas notas não vai ganhar presente do Papai Noel. Ruminava ela com sarcasmo ecerta prepotência.                Marta já não fazia cartinhas desse tipo há muitotempo, considerava-se acima de todos, muito mais evoluída e adulta que osbabacas dos seus irmãos. Todos acordaram felizes e esperançosos de receber ospresentes, diferente dela que tinha uma informação preciosa que a protegia da frustração;sabia que o ano tinha sido muito difícil e que os pais não dariam, novamente oque pediram. Senta-se diante da Televisão e encanta-se com tantas ofertas defelicidade. O telefone toca, a mãe grita para que ela atenda.                 – Alô quem fala? Do outro lado da linha ouve um oh ohoh eu sou o Papai Noel, quem está falando é a Marta? Sou eu mesma, como vocêsabe o meu nome? Vou desligar, que trote bobo você está passando, nemcriancinha de cinco anos acreditaria que o papai Noel ligaria para ela na vésperade natal. essas crianças pequenas acham que ele está ocupado preparando ospresentes para entregar a noite.                  - Mas estou mesmo preparando os presentes e percebique esse ano novamente você não fez sua cartinha para mim. retrucaalegremente a voz do outro lado.                 - Me poupe, seja lá quem você for, tenho mais o quefazer do que dar ouvidos a quem quer me fazer de idiota, vou desligar. RetrucaMarta irritada.                - Não desligue, me conta porque você não acreditamais em mim? Apela a voz no telefone.                - Pare com isso. Gritou ela, desligando o telefone e voltando a ver a Televisão. Respiraaliviada por ter resolvido o assunto sozinha quando um homem barbudo como opapai Noel aparece na tela e pergunta: - Por que você desligou o telefone?Assustada Marta, cobre o rosto. Ele continua a falar, - Meninas como você Martanão conhecem a magia da infância, Ela estava com o controle remoto na mão erapidamente desligou a TV.                  – Ufa. que loucura, acha que não estoubatendo bem da cabeça, sussurrou ela. Levantou-se do sofá e quando estava indopara a cozinha ouviu a campainha de sua casa tocar. A mãe grita lá do quartopara que ela atenda a porta. Olha pelo olho mágico e lá está o mesmo homem daTV. Meu Deus, pensa ela, eu enlouqueci mesmo e desesperada pede para ele irembora. Ele diz: não se assuste eu faço parte de um dos sonhos que você insisteem não sonhar. – Como assim? Pergunta Marta.                Ele responde agora aliviado por ter a oportunidade defalar com Marta e calmamente lhe explica.  Todos nós somos dotados de uma capacidade defantasiar, sonhar, algumas vezes nos perdemos nesses devaneios, mas eles sãopoderosas fontes de vida. Tenho percebido que você não sabe sonhar, não utilizadesse mundo maravilhoso que tem aí dentro e acaba sendo essa menina chata e pedanteque é.                 Tomada de furor Marta grita, dizendo que ele não sabede nada que ele nem existe. Ele retruca: - e você existe? Olha para você, vivecomo uma máquina, cumpre tarefas, assiste televisão, se impõe para seus irmãose colegas, não sabe brincar nem sonhar, isso é existir? E ainda por cima não medá a menor chance de torná-la mais doce.                - Ah você se acha espertinho, claro que sonho e sevocê realmente me conhecesse saberia disso.                 - Do que você está falando??? Daquela besteira deencontrar tesouro e resolver o problema de todos? Ah Marta, me desculpe, masvocê é uma menina muito ignorante neste assunto. Isso não é sonhar isso étentar resolver o problema de todos como você sempre acha que tem que fazer.                 De repente Marta se dá conta que não sabe do que eleestá dizendo, aliás que não sabe mesmo nada de si mesma. Esteve tão ocupadapelos gritos e pedidos de todos que nem percebeu que estava se deixando delado, ele tinha razão, isso era existir? Mas ela não se entregaria tão fácilassim aos argumentos daquele velho desconhecido. Questiona-o então: Olha você,digamos que seja o papai Noel, o que você faz não é muito diferente do que eu. Viveo tempo todo preparando presentinhos para iludir as criancinhas de que a vida ébela, isso é existir? Você não passa de um velho que quer aparecer para se reafirmarporque na verdade não existe.                Então é assim que você trata seus sonhos eesperanças? Pergunta com voz entristecida, o senhor do outro lado da porta,destitui-os de valor como faz com todo mundo que demonstra sentimento?                 Quando umacriança, como teus irmãos e amigos, sonha com o Natal não é o presente queimporta, mas o poder acreditar que alguém pode ouvir seus desejos, mais queisso é considerar que os próprios desejos são importantes. O Natal não é apenasa chegada do Papai Noel, na verdade ele simboliza a esperança como um presenteque vem dos céus como a estrela de David, nos indicando que viver vale a penase pudermos acreditar e valorizar o que os outros sentem e o que sentimos, pormais difícil que seja.                 Marta, eu sou construído a partir dos desejos eesperanças das crianças que como você tem um longo e penoso caminho pela frente,afinal viver não é fácil para ninguém. Assim como minhas renas, vocês crianças,crescidas ou não, me conduzem no trenó mágico da imaginação, os presentes podemnão chegar, mas a esperança e crença na vida estarão sempre presentes se aporta do coração de cada uma de vocês estiver aberta.                 Abra a portaMarta e permita que eu e você enfim possamos existir, assim viver será mais queuma tarefa, será sempre um presente mágico vindo dos céus.    Postado porSonia Piresàs05:57Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest quinta-feira, 8 de dezembro de 2016 SUSTO Nós humanos precisamos nossentir seguros, afinal a vida oferece tantos perigos. De dentro, produtos dos fantasmas ameaçadores criados por nós. De fora, vindo dos céus, impostos pelas inevitáveis circunstanciasda vida a que todos estamos sujeitos. Perigos reais,  ou imaginários, não importa, todos são vividos ou temidos, e apavoram tanto que mal podem ser tocados. Para tanto tumulto, tormento ebarulho assustador, avassalador, é preciso se prevenir, se proteger, criarartifícios reais ou imaginários que limitem os riscos, e que nos dê a sensação desegurança, estabilidade e constância. Tipo o “tudo bem não foi nada” da mãequando a criança chora depois de um tombo. O efeito colateral dessa manobra, é que essa formula, não dá a menor noção de quemonstros enfrentamos, afinal mal podemos suportar deixá-lo em nós para dimensionar otamanho do perigo. Como a mãe que não olha os joelhos do garoto, sacoderapidamente com tapinhas por cima das calças evita-se ver o machucado, mas ele continua sangrando. Quando estamos diante de nossas angústias e temores, quase sempre, reveladores de nossos limites e de nossa finitude, também damos alguns tapinhas. Compramos, comemosplanejamos alguma coisa.  Nos esquivamos,dizendo que não é nada, mas por dentro sentimos o risco e em algum lugar, sabemos que levantamos muralhas,alicerces, redomas protetoras, para não sermos atingidos pelo que inevitavelmente já nos atingiu.  O sucesso a comemoração, nem sempre são pelo bem conquistado, mas por ter conseguido se esquivar da certeza da dor inevitável que a vida nos impõe.  Outra manobra as vezes parece um paradoxo. Ao mesmo tempo que pulsamos e insistimos em sobreviver à morte, flertamos com ela, nos colocamos em situações de risco, numa tentativa louca de romper o limite da vida, para assim ter a sensação de controle sobre o incontrolável fluxo da vida. Quando diante da morte de um bebê que acabou de nascer, da morte de uma jovem mãe, ou de um time inteiro de jogadores, nos perguntamos como a vida pode terminar para  quem teria tantos capítulos a escrever? Notícias como essas, acordam nossos fantasmas, que zelosamente mantemos protegidos, pois retiram o cobertor que encobre a nossa ignorância angustiante diante da morte, nos levado a sentir na pele, ao mesmo tempo, a fragilidade e a importância de cada minuto do nosso pulsar.  Postado porSonia Piresàs11:54Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest sábado, 12 de novembro de 2016 O JEITO DE AMAR DE CADA UM Encontra-se em e-book meu novo livro: "O jeito de amar de cada um" O lançamento do livro físico será em 2017.  Sinopse  Amar.Sentimento implacável e inexplicável, um paradoxo da condição humana.  Com o coração vazio temos os pés no chão, massofremos com o vazio e insignificância da vida, nos sentimos sós.  Quando estamos amando vivemos na corda bamba,a insegurança e ansiedade são o preço a ser pago por deixar que um outro entreem nossas vidas de forma arrebatadora.  Estaobra se debruça sobre a questão do amor com os olhos da psicanálise com o apoiodas expressões da arte e da poesia que recheiam os filmes e musicas. Arazão nada sabe do amor, afinal ele é um sentimento, a linguagem é outra. Umdialeto que nos encanta desde as nossas primeiras experiências amorosas. Serãoexatamente elas, as historias do romance familiar, que pautarão de formainconsciente nossos encontros amorosos durante toda nossa vida. Cada novo amoré um convite para resignificar, dar novos significados, à forma como amamos evivemos. Assim,amar tanto pode ser terapêutico quanto doentio, tanto pode destruir quantopotencializar a quem bebe de suas águas, mas ninguém passa por ele impune. www.biblioteca24horas.com.br Postado porSonia Piresàs06:07Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest terça-feira, 18 de outubro de 2016 PRISIONEIROS DO PASSADO Uma escada estreita e curva, conduz a uma sala amplacom varanda, os vidros fechados cobertos por cortinas longas. Um corredorcomprido guarda a direita quartos repletos de história reverberante. Ao final agrande cozinha, com mesa retangular e muitas cadeiras, revela que ali muitos jáse saciaram, do muito que aquele fogão no canto embaixo do vitro, produziu.No quintal, saindo da cozinha, mais históriasenigmáticas tomam o ar. Uma antessala. O que haveria pensado ou sonhado quem aidealizou? Ao atravessá-la mais um amplo espaço, apenas alguns eletrodomésticosantigos em um pequeno canto, coberto por telhas e o restante estende-se pormuitos metros de espaço vazio, ao relento cercado por um muro baixinho, e novamenteuma escada estreita, mas desta vez ela conduz a uma visão, de tirar o folego, dapaisagem que cerca a propriedade em 360 graus. Uma espécie de cobertura, com umachurrasqueira novinha abandonada, denúncia de que muito do que se sonhou nãopode ser vivido naquele espaço, diferente da impressão dos outros lugares dacasa.Quem poderia escrever os próximos capítulos e comoo faria? Uma mulher que em seu aspecto arcado demonstracarregar o peso dos anos passados naquele lugar, é a última testemunha dossonhos vividos, e dos não vividos ali, que mais parece um fruto mumificado,digno de um estudo arqueológico. Mas, essamulher tenta manter-se viva, em meio a tanto apelo do silêncio e da morte queecoam das paredes, dos corredores e dos móveis e utensílios. Paradoxal éperceber, claramente, que ao mesmo tempo que ela se considera parte daquelasparedes e, portanto, daquele passado que não chega, do morto que não vaiembora, resiste bravamente a morrer, ao mesmo tempo em que não consegue deixa-lopara trás e seguir vivendo. Uma espécie de fidelidade que chega a parecerreligiosa, às coisas amontadas e mantidas da mesma forma por tantos anos,revela a presença dos mortos que não podem ser deixados. Como se essa mulherestivesse mantida viva amalgamada a morte. Como não ter crises de ansiedade eangústia? Como controlar a pressão que na verdade anuncia que ela está viva epulsante? Prisioneira de um moribundo presente que como umzumbi não pode se tornar passado, assim como a mãe que não pode permitir que ofilho cresça, para não perder a sua criança amada, agarrada a ilusão deeternidade carrega seu bebê ilusório em seu colo que ocupado, nada mais poderáreceber.Essa cena me remete diretamente ás experiênciasdifíceis, mas privilegiadas que meu ofício  oferece.  Ao adentrar noscorredores das moradas psíquicas de meus pacientes, por vezes sou conduzida acorredores escuros que me levam a um mundo de zumbis, personagens moribundosalimentados pela vida de sujeitos que por diversos motivos não conseguemdespedir-se, tanto de momentos desconfortáveis quanto prazerosos, mantendo-oscomo morto vivo alimentados pela energia de vida que deveria fluir, represada eestancada nessas marcas. A clínica me colocadiante de inúmeras histórias, todas únicas, mas ao mesmo tempo testemunhas dodifícil empenho que a vida nos impõe. Quando somos a-traídos pelo  ciclo em espiral de desamparo, encontro, prazer, perda, dor desprazer e novamente, desamparo ela revela a urgência demanter a esperança  e abrir a porta para a vida diante do apelo da mesmice e do silencio da paz da morte. Postado porSonia Piresàs13:20Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest Postagens mais antigasPágina inicialAssinar:Postagens (Atom)Quem sou euSonia PiresEstudar os enigmas da mente sempre me atraiu tanto quanto transmiti-los. As inúmeras possibilidades de compreensão e manejo de uma mesma situação clínica apontam para imensidão de descobertas a serem feitas.Visualizar meu perfil completoArquivo do blog

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